Preços das casas vão continuar a subir até 2021

Existe cada vez menos oferta de casas para vender em Portugal – ao contrário da procura, que continua a crescer. Esta discrepância entre a oferta e a procura origina, naturalmente, uma subida nos preços.

De acordo com o último Portuguese Housing Market Survey (PHMS), inquérito mensal produzido pelo RICS e pela Confidencial Imobiliário (Ci) para o mês de Outubro, no mercado de compra e venda de casas a procura continuou a crescer nas três regiões analisadas (Lisboa, Porto e Algarve), ao mesmo tempo que se registou uma nova quebra nas casas que entram no mercado para venda.

Este é o terceiro mês em que o volume de ofertas que chegam ao mercado cai, revela o relatório. Esta diferença de ritmo entre procura e oferta tem sido refletida sobretudo nos preços (que continuam a aumentar), já que, por agora, ainda não está a afectar as vendas. Aliás, o número de transacções continuou a crescer neste mês, naquele que foi o aumento mais acentuado desde Setembro de 2015.

Em termos de expectativas, continua-se a prever que as vendas aumentem no curto prazo e que os preços sigam uma rota de crescimento quer a curto quer a longo prazo. Nos próximos 12 meses, antecipam mesmo a possibilidade de uma subida elevada de preços em Lisboa, esperando-se que, a nível nacional, os preços cresçam cerca de 4% ao ano nos próximos cinco anos.

Para Ricardo Guimarães, director da Ci, neste relatório é visível a falta de casas quer para venda quer para arrendamento. “O claro decréscimo nas novas construções e, ao mesmo tempo, a orientação dos novos investimentos essencialmente para reabilitação e para fins não residenciais são alguns factores que contribuem para esta redução contínua da oferta de casas”. O responsável considera ainda que esta situação está a “tornar-se um entrave para as famílias que procuram uma casa compatível com as suas necessidades. Como resposta, muitas delas optaram por construir as suas próprias moradias, contribuindo para uma maior dispersão urbana”.

Simon Rubinsohn, economista sénior do RICS, refere também que a procura de habitação deverá continuar em terreno positivo, tendo em conta a “melhoria contínua no mercado de trabalho” e as últimas estimativas de crescimento, “que mostram que a economia portuguesa ganhou uma dinâmica expressiva no terceiro trimestre, expandindo-se ao ritmo trimestral mais rápido dos últimos três anos”. Apesar disso, “serão necessários ainda mais progressos para continuar a sustentar um crescimento sólido da procura”, defende o economista.

A nova dinâmica na aquisição de casa deve-se também ao facto de a banca voltar a olhar com mais confiança para a concessão de empréstimos à aquisição. Em Outubro, o Banco de Portugal divulgou que os volumes de novas operações para habitação ascenderam a 456 milhões de euros.

Alerta para o perigo de uma bolha imobiliária

O desequilíbrio que se está verificar entre a oferta e a procura e a subida dos preços das casas, foi já merecedor de uma advertência do Fundo Monetário Internacional (FMI). Portugal registou a 15ª maior subida anual entre 63 países estudados num relatório do FMI. Os economistas do FMI informaram que não se deve entrar em pânico, mas importa reforçar a vigilância.
Hites Ahir e Prakash Loungani adiantam que, “entre 2007-08, os preços dos imóveis colapsaram marcando o início da crise. Agora, o índice de preços da habitação do FMI mostra que estamos quase de volta a preços pré-crise”. Explicam também o porquê de ainda não ser hora de pânico: a evolução dos preços não está a ocorrer de forma sincronizada em todos os países e cidades, ao contrário do pré-crise, e hoje já existe alguma regulação para contrariar estas “bolhas”.

O estudo coloca Portugal na categoria a que chamam de ‘bust and boom’, já que depois de uma queda acentuada os preços voltaram a ter subidas significativas, a partir de 2013. Segundo os dados avançados pelo FMI, os imóveis em Portugal valorizaram 6,4% no último ano, o 15º registo mais elevado dos países analisados.

Uma das razões apontadas pelo estudo para esta subida em Portugal é precisamente o facto de existir falta de oferta. “As licenças para novas habitações cresceram só modestamente (…) e o impacto das limitações da oferta é evidente em várias cidades”, revelam.

“Mesmo que os preços subam apenas devido à oferta, o impacto no endividamento das famílias pode ser adverso para a estabilidade financeira”. É que a subida de preços não encontra correspondente nos rendimentos das famílias que, com a entrada de investidores a puxar preços, acabam por ser obrigadas a um maior esforço (risco) para comprar ou arrendar uma habitação. Vários investidores estão a refugiar-se no imobiliário numa fase de rentabilidade reduzida em vários activos e de receios vários em relação ao futuro de outros activos.

 

Fonte: diarioimobiliario.pt

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