Franceses são quem mais compra e recupera casas no centro de Lisboa

Os franceses, seguidos dos brasileiros e dos chineses, são os estrangeiros que mais compram e recuperam imóveis no centro histórico de Lisboa, segundo dados da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) hoje divulgados.

“Muitos estrangeiros com capacidade financeira estão a ser atraídos para o centro histórico lisboeta pelo regime de residentes não habituais, pelos ‘vistos gold’ e pela boa imagem que Lisboa tem no exterior”, afirmou o presidente da associação, Eduardo Miranda.

Os ‘vistos gold’ concedem autorização de residência em Portugal e liberdade de circulação no espaço Schengen aos cidadãos exteriores à União Europeia que, entre outros critérios, adquiram uma propriedade de, pelo menos, 500.000 euros.

O responsável falava numa conferência de imprensa sob o tema “Mitos e Realidades sobre o Alojamento Local nos Centros Urbanos”, que se realizou de manhã em Lisboa.

“Os franceses, maiores compradores do centro histórico, querem os benefícios dos residentes não habituais que, por si só, já traz economias fiscais que justificam o investimento”, afirmou.

Eduardo Miranda disse ainda que os brasileiros “querem proteger o seu património da instabilidade política e procuram o ‘visto gold’”, mas ainda são resistentes à ideia do AL.

Por seu lado, os chineses também procuram este visto e, depois do interesse inicial pelo Parque das Nações, “já começam a estar interessados nas zonas nobres do centro histórico e são mais abertos ao AL”.

Segundo o presidente da ALEP, o alojamento local acaba por ser uma opção para estes investidores porque é um “modelo flexível”, que lhes permite cumprir os dias a residir em Portugal a que são obrigados para não perderem as regalias e, simultaneamente, rentabilizar o imóvel.

Na conferência de imprensa, Eduardo Miranda quis também desmistificar a ideia de que o AL “promove o trabalho precário”, afirmando que “tem um efeito importante na distribuição de rendimento e na criação de autoemprego local”.

Nesse sentido, afirmou que a maior parte dos empresários “não tem volume para ter funcionários” e acaba por contratar vizinhos para fazer os serviços de limpeza.

Além disso, afirmou que o acolhimento dá “rendimento extra a milhares de estudantes e profissionais com formação em áreas de difícil empregabilidade como línguas, história e arquitetura” e referiu que os próprios turistas querem “fazer a vida de bairro” e consomem nos cafés e mercearias locais.

“As duas principais funções do AL (limpeza e acolhimento) geram mais de 7,5 milhões de euros por ano de rendimento localmente”, frisou.

Segundo a ALEP, existem em Portugal 30.308 alojamentos locais, dos quais 5.114 em Lisboa, sendo a maioria nas freguesias de Santa Maria Maior (1.533) e da Misericórdia (1.148).

O AL em Lisboa é feito maioritariamente por pequenos empresários (90%), que têm entre um e três imóveis. Oito por cento tem entre quatro e nove apartamentos, 1,7% tem entre 10 e 19 e 0,7% tem mais de 20 AL.

Fonte: noticiasaominuto.com

 

 

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