Imobiliário português de luxo desperta interesse em todo o Mundo

A procura por imobiliário de luxo em Portugal continua a crescer e a despertar interesse de investidores de todo o Mundo. Consequentemente, imóveis de topo em zonas Premium do país já atingem e superam os 10.000 euros o metro quadrado, enquanto imóveis de referência, bem localizados podem atingir valores entre os 5000 euros e os 7000 euros/m2.

Na verdade, o mercado de habitação de luxo português tem vindo a conquistar cada vez mais os estrangeiros e os resultados estão à vista. Não é por isso de estranhar que a Engel & Völkers (E&V) em Portugal, empresa alemã que se dedica exclusivamente à mediação imobiliária de luxo revelou que em 2015 a venda de casas de luxo no nosso país cresceu na ordem dos 100% e em 2016 essa tendência mantém-se, tendo previsto a abertura de mais seis lojas em Portugal até ao final deste ano e mais 10 em Espanha.

Kilian González, o recente director de vendas e Expansão para Espanha e Portugal da E&V, em entrevista ao Diário Imobiliário, revela que nos “encontramos num momento muito interessante para o sector imobiliário, tanto em Portugal como em Espanha, por vários motivos. Por um lado a facilidade e acesso ao crédito faz com que aumente a procura, após a crise sofrida nos últimos oito anos, os preços foram sendo actualizados posicionando-se em níveis muito interessantes e acessíveis. Nos últimos dois anos, devido à situação de instabilidade internacional no Oriente Médio e Norte da África, tem havido um aumento da procura de potenciais compradores internacionais, factor que trouxe uma recuperação da actividade”.

Manuel Neto, License Partner das lojas E&V do Parque das Nações, Cascais, Estoril, Comporta e Restelo, conhecedor do nosso mercado, salienta ainda que em Portugal, em particular, a evolução que se tem verificado no mercado imobiliário de luxo têm-se caracterizado pelo aumento da diversidade de produto e de opções, tendo a reabilitação urbana como um dos seus mais interessantes factores. “Cada vez mais a localização tem sido determinante para o sucesso das vendas neste mercado. O interesse tem sido muito localizado no centro das zonas prime e só muito lentamente, e por falta de produto, a procura têm alargado a outras áreas mais secundárias”, acrescenta.

Procura por todo o país

Os responsáveis adiantam ainda que a procura tem sido diversificada. Nas áreas das cidades de Lisboa e Porto, tem sido especialmente de apartamentos de primeira e segunda habitação. Por outro lado na zona da Grande Lisboa, em Cascais, Sintra e Estoril procuram-se preferencialmente moradias e quintas, também para primeira e segunda habitação.

O Algarve, no seu todo, teve também um enorme aumento de procura, muito especialmente de segunda habitação e por clientes internacionais.

No norte do país, tendo como motor a reabilitação no centro do Porto, a procura tem evoluído de forma bastante positiva, abrangendo tanto os clientes nacionais como os estrangeiros. Zonas privilegiadas têm sido as zonas costeiras, como junto a Aveiro, ou no interior ao longo do Douro.

Chiado, Príncipe Real ou Avenida da Liberdade em Lisboa e Centro do Porto as zonas mais caras

Quanto a preços, Kilian González e Manuel Neto garantem que a subida de preços tem acompanhado a evolução deste mercado mas é efectivamente mais significativa nas zonas prime de Lisboa, como o Chiado, Príncipe Real ou Avenida da Liberdade, ou no centro do Porto.

“De resto os preços têm-se mantido mas tem descido o potencial de negociação. Enquanto há relativamente pouco tempo nos imóveis de luxo se verificavam negociações na ordem dos 20% e mais, essa margem desce hoje, para valores significativamente mais baixos. Imóveis de topo em zonas Premium já atingem e superam os 10.000 euros/m2, enquanto imóveis de referência, bem localizados podem atingir valores entre os 5000 euros e os 7000 euros/m2”, revelam.

Franceses dominam a procura

“Os principais compradores neste mercado são sem sombra de dúvida os clientes franceses”, esclarece Kilian González. Numa segunda linha temos diversos norte-europeus, brasileiros e chineses. Nos últimos meses têm verificado um aumento de interesse por nacionalidades muito diversificadas que vão da África do Sul, aos países árabes, aos norte-americanos e Austrália. “Relativamente ao mercado português temos registado alguma dinâmica, mas dentro se valores mais médios, e na sua grande maioria está relacionada com a abertura ao crédito que se tem vindo a verificar na banca”, adianta Manuel Neto.

Este responsável salienta ainda o crescente interesse de clientes estrangeiros em imóveis para primeira habitação, em grande parte ao abrigo do programa em curso com vantagens fiscais para os residentes não habituais. “A segunda habitação aparece muitas vezes interligada com um investimento financeiro e a procura de alternativas para rentabilização dos imóveis nos períodos em que não estão ocupados. Também existe uma forte procura de imóveis para investimento e muitas vezes com interesse na reabilitação de edifícios. Apesar de ter abrandado significativamente o programa ARI/Golden Visa continua a vender e aqui também o investimento financeiro é muitas vezes um factor relevante” acrescenta.

Chineses gostam de imóveis novos e franceses de clássicos, sobretudo no centro de Lisboa

Kilian González e Manuel Neto admitem também que não há um padrão que possam generalizar e que seja abrangente para todo o mercado, relativamente ao tipo de produto que os investidores procuram. Diferentes nacionalidades e diferentes motivos (por ex. não residentes ou Golden Visa) procuram produtos específicos adaptados às necessidades e objectivos. “Podemos referir alguns tópicos como o de os chineses gostarem de imóveis novos como por exemplo em Lisboa, na Expo, ou de franceses gostarem dos imóveis clássicos e modernos no centro de Lisboa, ou outros com vista mar em Estoril/Cascais, mas não passam de exemplos e só por si não definem um padrão para determinado grupo ou nacionalidade”, esclarecem.

2016 é na opinião de Kilian González ano muito importante para a Engel & Völkers em Portugal. “Um ano de consolidação e de crescimento que está a criar bases importantes para o fortalecimento da marca no nosso país e que nos vai permitir aumentar substancialmente a nossa presença no mercado. A par com o aumento da nossa implantação estamos já hoje a sentir um aumento crescente do volume de negócios o que vai contribuir para um reforço efectivo da nossa quota no mercado imobiliário nacional”, conclui.

Fonte: Diário Imobiliário

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