Câmara de Lisboa diz que vão ser plantadas 741 novas árvores no Eixo Central

A Câmara Municipal de Lisboa informou esta quarta-feira que vão ser plantadas 741 novas árvores no Eixo Central da cidade e que 15 das actuais serão abatidas, após queixas de uma plataforma de cidadãos quanto ao abate de alguns exemplares.

“Quando a obra estiver pronta, as 741 novas árvores plantadas, entre freixos, tipuanas, plátanos e jacarandás, serão em número substancialmente maior do que é o actual: 169”, referiu o gabinete de imprensa do município, num esclarecimento enviado à agência Lusa.

A Câmara indica também que, das espécies actualmente existentes, “serão transplantadas para outras zonas da cidade 30 árvores e 15 serão abatidas”. “Feitas as contas, o balanço é claramente positivo: Lisboa ganha um renovado Eixo Central com 865 árvores”, acrescenta a autarquia.

Em causa está uma queixa de um grupo de cidadãos da Plataforma em Defesa das Árvores, que reportaram “recentes e inesperados abates de árvores na Avenida Fontes Pereira de Melo, no âmbito do projecto de requalificação do Eixo Central”, que abrange também a Avenida da República.

Estes cidadãos alegam que “o projecto previa manter as árvores existentes e não mencionava quaisquer abates” e, por isso, “ao que tudo indica, a Câmara Municipal de Lisboa procedeu e vai proceder a abates à revelia do projecto, cuja necessidade e legitimidade são questionáveis”.

A Plataforma pediu então ao município “que sejam tomadas medidas para a preservação destas árvores, lembrando que a lei vigente só permite o seu abate quando estas estão doentes e representem perigo para pessoas ou bens e nunca no âmbito de uma empreitada de requalificação e à revelia do próprio projecto apresentado aos cidadãos”.

Em causa está uma intervenção orçada em 7,5 milhões de euros, que arrancou no início de maio e que tem uma duração estimada de nove meses, abrangendo as avenidas Fontes Pereira de Melo e da República e as praças Duque de Saldanha e Picoas.

Para aquela zona da cidade, projecta-se o alargamento dos passeios, a criação de zonas verdes e de estadia, a repavimentação das faixas de rodagem (feita durante a noite), o reordenamento do estacionamento e a criação de uma ciclovia bidireccional, alterações feitas no âmbito do programa “Uma praça em cada bairro”.

No esclarecimento enviado à Lusa, a Câmara vinca que quer tornar o Eixo Central “num espaço menos hostil para as pessoas” e com “mais zonas verdes e árvores”. A autarquia não indicou, porém, as razões que levaram à remoção das árvores.

No pedido de esclarecimento enviado à Câmara, a Plataforma em Defesa das Árvores vinca que “os benefícios das árvores adultas não são comparáveis aos das jovens árvores”. “Porque estão assinalados para abate os magníficos choupos negros?”, questionou, advogando que estas árvores “fazem parte do património da cidade” e que “se o problema é que as suas raízes levantam ligeiramente o passeio, haverá seguramente soluções técnicas para resolver esse problema que não passam pelo abate puro e simples”.

Alguns membros da Plataforma têm-se manifestados nos últimos dias naquela zona da cidade, com um cartaz em que se lê “querem cortar esta árvore”. Entretanto está também ‘online’ uma petição pela preservação das árvores, que contava às 18:00 de hoje com 66 assinaturas.

 
Fonte:Jornal de Negócios
Anúncios