Financial Times: Lisboa é alternativa low-cost a Londres e Nova Iorque

Os grandes bancos norte-americanos e europeus estão a acelerar a descentralização de serviços dos principais centros financeiros mundiais, como Londres e Nova Iorque, para destinos low-cost. E Portugal está na rota desta migração.

O Financial Times (FT) dá o exemplo do maior banco francês que está a contratar milhares de trabalhadores em Portugal. O BNP Paribas, que há 10 anos tinha cerca de 500 trabalhadores em Portugal, terminou 2015 com 2.600 colaboradores no ‘Hub Lisboa’ e prevê chegar aos 4.000 dentro de três anos. Segundo o jornal britânico, também a Morgan Stanley tem vindo a recolocar alguns quadros de ‘credit research’ em Lisboa e Budapeste. Já o Natixis vai deslocalizar para a cidade do Porto grande parte das suas actividades informáticas, criando 600 novos postos de trabalho na Invicta ao longo dos próximos três anos, avança o Negócios citando a publicação ‘Les Echos’.

Segundo o jornal francês, o Natixis justifica a escolha de Portugal com o facto de o país dispor de activos imobiliários e salários “competitivos”, além de ter “um contexto económico favorável para o investimento estrangeiro” e “importantes competências linguísticas”.

O Financial Times contextualiza esta estratégia num movimento global. Pressionados por uma quebra das receitas da banca de investimento e sujeitos a regras mais apertadas de regulação, os grandes bancos mundiais procuram agora alternativas que lhes permitam controlar custos, principalmente num ambiente em que a comunicação digital facilita o trabalho remoto.

“Há muitos anos que a banca empresarial e de investimento têm vindo a descentralizar serviços, mas o que estamos a ver agora é que a intensidade desse movimento está a acelerar devido às condições económicas e à digitalização da indústria”, afirma Bill Michael, o responsável global da KPMG pela área de banca e mercados, em declarações ao Financial Times.

Lisboa e Porto concorrem assim com outros destinos low-cost que têm captado o interesse da indústria financeira, como Varsóvia, Budapeste, Dublin, Edimburgo, Glasglow ou Bangalore na Índia.

Fonte: Económico

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