Uma Mouraria “mais acessível” e com uma mesquita

Foi da vontade de tornar a Mouraria “um bairro mais acessível, mais permeável, não tão fechado sobre si próprio” que nasceu na Câmara de Lisboa a ideia de rasgar uma ligação entre as ruas da Palma e do Benformoso. O sublinhado é feito pelo vereador do Urbanismo, o arquitecto Manuel Salgado, que considera “completamente incorrecto” que o debate em torno do projecto “Praça-Mouraria”, que além de uma intervenção no espaço público inclui a edificação de uma sala polivalente para actividades culturais e de uma mesquita, se centre apenas na última dessas valências.

Em declarações ao PÚBLICO, Manuel Salgado frisa que a constatação de que “era importante para a revitalização da Mouraria” que se criasse um novo ponto de contacto entre o bairro e o resto da cidade surgiu ainda com o Programa de Acção da Mouraria, em 2009. O passo seguinte, continua, foi a procura na zona de um ponto “que tivesse bastante edificado municipal”, que pudesse ser sacrificado para permitir o cumprimento daquele desígnio.

“Simultaneamente havia um problema complicado da mesquita [a Mesquita Baitul Mukarram, na Calçada Agostinho de Carvalho], que não tinha o mínimo de condições”, explica o autarca, acrescentando que “a comunidade manifestou interesse em ter melhores condições para o seu culto”.

Foi da união desses elementos que acabou por nascer o projecto “Praça-Mouraria”, da autoria da arquitecta Inês Lobo. O estudo prévio obteve parecer favorável da Câmara de Lisboa em 2012 (com a abstenção do CDS e os votos favoráveis de todos os outros eleitos), sublinhando Manuel Salgado que ele foi pago pela Comunidade Muçulmana do Bangladesh.

Nesse estudo explica-se que “a área de intervenção é definida por um núcleo composto por um edifício da Câmara Municipal de Lisboa, dois edifícios propriedade da EPUL [empresa municipal que foi extinta e cujo património transitou para a câmara] e três edifícios privados que deverão ser expropriados e demolidos”.

 Fonte: Público
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