Cinema Odeon poderá dar lugar a apartamentos e loja

O futuro do antigo cinema Odeon, em Lisboa, deverá passar pela sua transformação num edifício de uso habitacional, com 13 apartamentos. No piso térreo do imóvel prevê-se a instalação de um espaço comercial, com cerca de 600 m2, no interior do qual será preservada a boca de cena existente e outros elementos, como o tecto de madeira pau-brasil.

No sábado, o Fórum Cidadania Lisboa tornou público que a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) tinha proposto a aprovação condicionada do mais recente projecto apresentado para o antigo cinema, na Rua dos Condes. Segundo a informação que foi transmitida ao movimento de cidadãos pelo Ministério da Cultura, com a proposta em apreciação ficava “garantida a salvaguarda das principais características do edifício, nomeadamente a leitura urbana da imagem do antigo cineteatro (…) e, no interior, a preservação do frontão da boca de cena”.

Nessa mesma informação fazia-se referência a um anterior projecto para o local, que “previa a transformação do cinema em centro comercial” e que tinha também merecido a aprovação da DGPC. Quanto ao conteúdo da nova proposta, que deu entrada nessa entidade em meados de Abril, nada é dito na comunicação que chegou ao Fórum Cidadania Lisboa, o que gerou alguma confusão sobre se o uso anteriormente previsto seria ainda para concretizar.

Ora, o PÚBLICO apurou esta segunda-feira que o projecto de reconversão do Odeon que foi divulgado em 2013, e que contemplava a sua transformação num espaço comercial com valências culturais e estacionamento subterrâneo, foi abandonado. Esse projecto era da autoria do arquitecto Luís Pereira Coelho e gerou na altura alguma polémica.

Segundo o vereador do Urbanismo, no passado dia 31 de Março deu entrada na Câmara de Lisboa um outro projecto, com a assinatura do arquitecto Samuel Torres de Carvalho. Em declarações ao PÚBLICO, Manuel Salgado explicou que esta proposta prevê a criação de uma loja com 666 m2, “com o pé direito correspondente ao volume todo da sala” de espectáculos, no interior da qual serão preservados a boca de cena e o tecto de madeira.

Na “parte de trás” do edifício, na área que de acordo com o vereador corresponde aos antigos “balcões”, a ideia é instalar 13 apartamentos, com uma área total de cerca de 2100 metros. “A fachada será toda recuperada”, garante, explicando que a alteração mais significativa passa pela colocação de janelas de trapeira na cobertura do imóvel.

Manuel Salgado acrescenta que o projecto que foi submetido à apreciação da autarquia prevê ainda o surgimento de 22 lugares de estacionamento, num sistema robotizado. O autarca diz ter “sérias dúvidas” sobre essa solução, lembrando a proximidade do parque de estacionamento subterrâneo dos Restauradores.

O autarca frisa ainda que os serviços camarários só apreciarão este projecto depois de receberem os pareceres solicitados a entidades externas. Entre eles o da DGPC que, segundo as informações divulgadas pelo Fórum Cidadania Lisboa, condicionou a aprovação “à preservação das caixilharias/carpintarias dos vãos exteriores do piso térreo”, “à implementação de um solução com menor expressão nas divisórias entre fracções nas varandas existentes nos pisos 1 e 2” e “à execução da caixilharia das novas trapeiras em ferro ou madeira”.

Inaugurado em 1927, o cinema Odeon está encerrado desde a década de 90 do século passado. O PÚBLICO tentou, sem sucesso, falar com o arquitecto Samuel Torres de Carvalho e com a empresa Parisiana, que é a requerente do processo que deu entrada na Câmara de Lisboa.

Fonte: Publico

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