Worx aconselha investimento em hotelaria, reabilitação urbana e escritórios

A consultora, que reavaliou para a troika os activos imobiliários dos bancos, aponta a hotelaria, a reabilitação urbana e a construção de grandes escritórios em Lisboa e no Porto como investimentos com grande potencial de rentabilidade nos próximos quatro anos.

“Portugal é o melhor país da Europa para investir”, garante Guo Guangchang, CEO da Fosun, grupo chinês que detém a Fidelidade e a Luz Saúde.

A citação, do jornal Macau Daily Times, surge a letras gordas na página 14 do último estudo do mercado imobiliário português feito pela Worx (www.worx.pt), em que a consultora liderada por Pedro Rutkowski aponta o “enorme potencial de rentabilidade” que tem os sectores da hotelaria, reabilitação urbana e a construção de edifícios para grandes escritórios em Lisboa e no Porto, nos próximos quatro a cinco anos.

“Tudo depende, porém, do posicionamento e da valorização que for feita aos activos pelos investidores. O potencial está todo lá, mas é preciso saber usá-lo”, afirma o CEO da Worx, a consultora portuguesa que fez para a troika a reavaliação dos activos imobiliários dos bancos, tendo ainda efectuado, entre outras operações, a assessoria na compra de Vilamoura por novos investidores.

De acordo com a Worx, a hotelaria irá continuar a ser uma das áreas mais rentáveis do investimento imobiliário em Portugal durante os próximos cinco anos, “sobretudo se os activos forem concebidos com versatilidade que o mercado irá exigir”, nota a consultora, em comunicado.

“Grande dimensão, posicionamento para a classe média/média-alta, possibilidade de ser transformado em habitação temporária ou permanente” – são estes os ingredientes indispensáveis para se obterem bons retornos, argumenta a Worx no estudo “WMarket 16”, o qual, para além da versão em inglês que acompanha a edição portuguesa, tem uma versão em mandarim destinada ao mercado chinês.

“Novos hotéis terão um futuro muito promissor se os investimentos não se limitarem à afirmação de Portugal como um destino turístico de massas competitivo. Será fundamental ajustá-los às necessidades de um mercado cada vez mais sofisticado, mais móvel e mais exigente”, alerta Pedro Rutkowski.

“Por isso é também muito importante que o país aposte cada vez mais em eventos capazes de atrair um turismo de qualidade, como congressos e feiras internacionais, ou grandes produções de entretenimento como festivais ou organizações desportivas”, sublinha o mesmo responsável.

A médio prazo, o maior potencial identificado pelo “WMarket 2016” para hotéis concentra-se em novas localizações com projectos destinados às classes alta e média-alta.

Em Lisboa, por exemplo, “em 2015 o preço médio por quarto subiu 11,1% quando comparado com 2014”, tendo a categoria de cinco estrelas sido “a que mais contribuiu para este aumento, com um crescimento de 15,2% face a 2014”, indica a Worx, que só em 2015 avaliou mais de duas centenas de hotéis e empreendimentos turísticos, na sua maioria de quatro ou cinco estrelas, já construídos ou em construção, num total de mais de 23 mil camas e 15 campos de golfe.

Grandes escritórios em Lisboa e no Porto

A Worx identificou também a construção de grandes escritórios em Lisboa e no Porto como investimentos com grande potencial de rentabilidade nos próximos quatro ou cinco anos.

“Ambos os mercados têm uma procura que não encontra oferta adequada, sendo que o Porto, como tem uma mão-de-obra mais barata do que Lisboa, tem uma procura muito específica para esta classe de investimentos”, explica a consultora.

Quanto à reabilitação urbana, o “WMarket 2016” identifica grandes oportunidades no centro das cidades, “desde que os projectos sejam adequados às novas características dos consumidores finais, quer em termos de habitação, quer em termos de lojas de rua”.

“Todo o segredo está em saber identificar os activos, em reposicioná-los e em saber valorizá-los em função desse novo posicionamento”, sublinha Pedro Rutkowski.

“A sociedade portuguesa está a iniciar um período de mutação acelerada, muito marcado pela mobilidade geográfica e social. Por outro lado, no retalho urbano as zonas rentáveis de lojas de ruas começam a evoluir noutras direcções”, conclui Pedro Rutkowski.

Fonte: Jornal de Negócios

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